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Muitos pesquisadores têm buscado através de pesquisas em objetos, fotografias e pinturas a origem dos brinquedos. Alguns museus têm exemplares de brinquedos encontrados em escavações em diversas partes o mundo, oriundos de épocas bastante remotas. Com os dados encontrados, é possível tentar interpretar e explicar o fenômeno brinquedo e o ato de brincar no contexto histórico dos diversos grupos sociais.
Bonecas articuladas que podiam mover-se com barbantes, semelhantes ao atuais fantoches, eram utilizadas por crianças da Grécia e de Roma antigas, bem como modelos diminutos de cadeiras, mesas, jarros e outros objetos da vida cotidiana. Bolas (algumas de couro e cheias de crina, palha e outros materiais), e bonecas de madeira ou barro cozido também foram encontradas. O cavalo de pau, cataventos, pássaros presos por um cordão e bonecas multiplicaram-se principalmente a partir do século XV e alguns deles nasceram do espírito de imitação das crianças. Elas imitavam as atividades dos adultos, reduzindo-as à sua escala, como foi o caso do cavalo de pau, numa época em que o cavalo era o principal meio de transporte e de tração. O fato de terem sido encontradas bolas, bonecas, chocalhos, piões e peça de jogos desde as mais remotas idades, demonstra que muitas brincadeiras infantis mantém-se durante o passar dos tempos. Na Idade Média, a fabricação de brinquedos assumiu importância na vida econômica de algumas cidades e países. No século XV os fabricantes de Nurenberg começaram a ficar famosos por seus brinquedos. Nos séculos XVI e XVII Ulm e Augburg, também na Alemanha, reuniam os fabricantes de casas de bonecas, miniaturas de instrumentos musicais e peças de mobiliário que se constituíram em obras primas de artesanato. Atualmente a indústria de brinquedos existe no mundo todo e movimenta valores econômicos muito elevados. A evolução tecnológica permitiu a criação de um grande número de brinquedos que encantam as crianças, pelo menos por algum tempo, até serem esquecidos. Na verdade, nenhum deles substitui o encanto de brinquedos simples como uma bola ou uma boneca, os quais permitem o pleno desenvolvimento da imaginação. Com a crescente industrialização do brinquedo, cada vez mais "aumenta" as opções de brincar. Em contrapartida, cada vez menos dá-se espaço à criatividade e a imaginação. O brinquedo já vem pronto e com todas as instruções de uso, bastando segui-las. No artigo de Gildo Volpato ("Do brinquedo e do brincar – um pouco da história") – encontra-se uma ótima revisão sobre a vinculação da cultura de uma sociedade e os fatores históricos que propiciaram o surgimento dos brinquedos. Muitos deles foram utilizados no trabalho, em atividades artísticas, místicas, sacras, antes de serem considerados brinquedos. A maioria deles era partilhada por adultos e crianças, não havendo também preocupação em separar "brinquedos de meninas" e "brinquedos de meninos". Esta separação começa a ocorrer principalmente no decorrer do século XVIII, com o início da fabricação dos brinquedos infantis. Com o advento do capitalismo, o brinquedo torna-se uma mercadoria a ser comercializada. A partir daí, os objetivos do brinquedo começam a se afastar de sua origem". Jorge Montardo - Médico Pediatra - "Aprendendo a Vida"
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